segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

CONCISÃO

A mão que escreve, tudo torna, mas também tudo entorna;
Pode ser luxo, e pode ser lixo, mas jamais deve ser prolixo.
Quem pensa e escreve, não está só, fala com alguém,
por isso, jamais se deve tomar muito tempo.
Num mundo cada vez mais pequeno, textos diminutos,
pensar, repensar, e extremamente condensar.
Contra o instinto criador humano jamais poderão,
pois este cria, recria, exaustivamente.
Somente você, com sua lavra, conseguirá terminar uma obra,
Qual refletirá os conflitos do seu tempo, ou além deste.
Os meus heróis foram aqueles clássicos escritores empoeirados,
tão seguros das palavras, tão sofridos por elas...
Hoje, capengamente seguindo aqueles passos tão sonhados,
vejo quanta estrada, árdua e solitária ainda me resta,
e, as vezes exaurido, me pergunto: será que compensa? - porque buscar tantas respostas, se o que realmente querem cultivar são as causas improváveis?
se queremos crer mesmo

Ser leve

Amplificação de minh`alma, é essa inextinguivel beleza das letras.
Tanta coisa boa com elas se faz ecoar, tendo sempre bom ânimo no peito...
Palavras boas e más estão soltas por aí, para se fazer o que bem entender.
Usar bem as palavras (de fácil compreensão,) e não passar de ser apenas mais um algo para se usar.
Ser útil. talvez o único bom caminho. ser breve. cada vez mais, nosso maior desafio.

INVESTIMENTOS

Os sorrisos que plantei, colhí, guardei-os, mas mofaram-se. sim, elegantemente, mas mofaram-se.
Joguei-os fora. agora, desesperadamente preciso de um bom financiamento, daqueles... a se perder de vista!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MOLECAGENS LITERÁRIAS REMUNERADAS

Quando era mais jovem, e inconsequentemente mais topetudo, fui sozinho de trem p/ São paulo, quase sem dinheiro, com alguns manuscritos na bagagem, para tentar ser escritor.
Morando num miserável pulgueiro na R. dos Andradas, c/ Gal. Osório, deslumbrado pela cidade, ia todas as manhãs para a praça Princesa Isabel terminar meus escritos que achava o máximo.
Sob aquela inspiradora estátua militar de Brecheret, vez por outra, haviam lá uns andinos, e brasileiros pernas de pau jogando bola, desocupados, crianças, indigentes, e eu, com meus cadernos, em iminente indigência, mas me sentindo relevante cidadão preocupado com os rumos que tomavam o mundo naquele inesquecível ano de 1989: havia caído a desgraçada ditadura em meu país, votara em Lula, mas collor, o bonequinho bonitinho, se elegera, e lá pela Rússia, um carismático senhor Gorbachev promovia suas mudanças.
Me senti mais importante aínda, quando um dia passando pela r. Barão de Itapetininga, jovens desesperados por mudanças, me puxaram para assinar em favor da libertação da Lituânia. assinei. confesso na época, não saber ao certo onde se localizava. sabia ser lá para os lados da rússia, onde exalava mudanças, de Perestroika, Glasnost, lugares onde viveram alguns de meus heróis juvenís: Trotski, Gogol, Dostoiévsky... mas o certo era que havia contribuído por aquele país, e então pensava: - é mesmo em São Paulo onde as coisas acontecem. o que seria dos lituanos se eu não estivesse aqui? está lá, naquele manifesto, minha importante assinatura para que tudo se resolva! que sejam livres os lituanos!(nem imaginava que logo iria cair tbém aquele p/ mim, intrigante muro de Berlim das histórias miseráveis de segregação, de fugas frustradas, loucas fugas em balões, anseios humanos por liberdade.)
Dias depois, na r. 24 de março, ingressaram-me na militância política esquerdista. por uns dias frequentei reuniões noturnas do partido verde,juntamente c/ o partido humanista. minha função não era lá tão verde: sujar paisagens do vale do anhangabaú com panfletagem noturna.
Estando já crítica minha situação pecuniária, precisava vender meus escritos, e somente na capital, iria encontrar quem pagasse por eles...
Meus escritos eram meu sangue: havia parado com experiências com cigarro, bebida e até maconha, estabelecido para mim por um ano, uma espécie de prisão semi-aberta, onde somente saia para a biblioteca municipal pegar clássicos. nesse meu presidiozinho, produzi um lixo literário sem fim. e era esse meu amado lixo que agora estava na capital, batendo de porta em porta, recebendo aqueles "nãos", elegantemente disfarçados: - está bem! prometo que vou analizá-los.
Já dormindo na rua, comendo migalhas e bebendo muita água para não desidratar, novamente pela Barão de itapetininga, minha rua preferida, gratuitamente me entregam um jornaleco sensacionalista com a Manchete:"Paulo de Tarso morreu de Aids" (sim! o corajoso redator, queria nos convencer que o apóstolo mais querido dos cristãos, por suspeitas de homossexualidade, havia morrido de aids já naquela época.)
Polêmicas palotinescas à parte, o que interessava é que havia entre as matérias do jornal, mensagens dizendo:"esse jornal,não aceita propaganda de cigarros", e como havia parado de fumar,redigira então, um virulento artigo contra os fumantes, o qual se me lembro, terminava por dizer(de acordo c/ pesquisas japonesas) que o fumante, além de um gradativo suicída, também poderia ser um potencial assassino involuntário, ou coisa assim.
Rumei para a redação do jornaleco, no grande edifício Prestes maia, defronte o viaduto Sta Ifigênia. lá, numa das salas comerciais, um senhor que insistentemente vestia-se de branco, deu-me um livro sobre o poder da cura pela água, pegou meus escritos, dizendo-me p/ voltar no dia seguinte pela manhã.
A importância do incentivo para um jovem, talvez valha por toda uma vida: o homem deu-me um cheque pelos escritos, aconselhou-me arrumar emprego, e continuar escrevendo.
Quando saí de lá apressado para as agencias bancárias da Av. Ipiranga com um cheque do então Banco Brasileiro, não estava mesmo acreditando naquele valor pecuniário ali rabiscado. somente quando o caixa repassou-me o dinheiro, é que me veio aquela sensação de vitória. faminto, fui comer, depois, fuçar em velhos livros nos sebos do centro velho, Messias e outros, e enquanto separava alguns títulos clássicos, pensava orgulhosamente: - eu também era comprovadamente um escritor. alguém havia reconhecido meu talento, e dera boa soma por eles... eh! coisa tão fácil essa de ser escritor!
Mas desconfiei que havia algo de pai nas palavras daquele homem, quando me aconselhou procurar um trabalho rapidamente, assim, com o dinheiro aluguei um mês de pensão, e seguindo seu conselho, logo consegui emprego numa banca de jornal, qual também vendia discos usados na movimentada esquina da av. Rio Branco c/ Ipiranga.
Nas horas vagas, munido de um livro, pegava o metrô na estação São Bento, ou Luz, sentava-me nos últimos lugares, lia fazia anotações... minhas anotações em papéizinhos que nunca mais parei.
Quando saiu um artigo meu no jornaleco, comprei vários exemplares... (essa minha aventura, continua não se sabe quando)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cães, Deus&eu

Quando meu primeiro cãozinho morreu, foi também a primeira vez que eu xinguei Deus.
- e o fiz com ódio, sem arrependimentos!
- ora! como pode um todo poderoso, tranquilamente olhando a todos com o rabo assentado lá em cima, (e era assim que eu o imaginava)determinar assim, sem mais nem menos, a morte do cachorrinho que eu gostava!
- briguei feio com Deus! fiquei um bom tempo de mal com ele, pois era para ele aprender a não mexer assim com coisas que se estima.(devo ter mandado ele para aquele lugar...e sabe-se lá para mais onde!)
- nem que você me der um outro cão mais lindo e alegre que aquele, eu não quero! - dizia eu indignado para um surdo Deus.
- o que vou fazer agora sem meu cãozinho para chamar de Lulu?
E devo ter chorado muito escondido pelos cantos, não querendo acreditar que meu cão havia morrido.
- além disso não se permite que cães vão para o céu! de que vale um céu sem cachorro? uma grande merda deve ser esse seu tão falado céu! - lamentava eu, imaginando um céu só de anjos brancos deslizando por sobre as nuvens, sem cães de azinhas. tristemente sem cães de azinhas.
Mais tarde, outros amados cães se foram, e todos foram grandes perdas. aínda tenho hoje esperança de reencontrá-los, em algum lugar inimaginável no universo infantil que só criança concebe, felizes, abanando aqueles risonhos rabinhos sensíveis, franzindo orelhas carentes, e aqueles olhinhos acesos, olhinhos obedientes de cão, carinhos sinceros de cão, que sufocaram tanta falta de calor humano.
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Presente num futuro tão esperado, escatológicos tempos de padres pedófilos, e pastores cada vez mais gananciosos, não espero soberbamente um Messias.

Sim, a religião agoniza. o mundo só faz avançar, a religião agoniza.

foi boa a tentativa, mas essa coisa de perdoar em nós não existe. os antagonismos são benvindos à espécie:

- como perdoar sempre se o ódio sempre em nós permanece?
- o que temos de tão errado

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ferozes retrozes

Ferozes retrozes, velozes tecem suéteres verbais em nosso parque industrial têxtil;
mas a demanda é pouca, o mercado é magro, estaremos sempre no vermelho !
Relevo, ou revelo, num belo elo, nem sei se levo, meu estridente violoncelo;
Enchentes de tédio, prementes clamam para que novamente voltem, reluzentes, meus sorridentes dentes...
Ferozes retrozes, velozes tecem suéteres verbais em nosso parque industrial têxtil;
mas ó estrada incrível! somente nós humanos podemos acertar seu difícil caminho, pisando em chicetes... (pisando em chicetes? isso não soa nada bem! estávamos indo tão bem com aqueles sorridentes dentes... ó tumultuantes palavras! tão traiçoeiras são vocês!)
suponhemos então que não houvesse outra saída, teríamos de terminar o texto a custo de pisar em chicletes em sol escaldante! então nos vem a lembrança aquele povo norte-americano, qual como eu, tem enorme curiosidade cosmológica, e ñ cansam de sondar o espaço. mas desconfio eu, com a desculpa de encontrar respostas, tão religiosos são, tbém estão procurando o Deus, fantasia qual jamais encontraremos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

minha linguiça sem trêma

Foram-se tarde aqueles dois zóinhos em cima da linguiça. eu tinha uma pregüiça de usar essa frescura acadêmica! e tantos puxões de orelha sofri por esquecer de usá-los, seguidos de um:- linguiça tem trêma, menino! - para que serviram afinal? somente estorvaram. são como os "agás" de hotel, honesto, honra, etc...
- como hontem, porque não acabamos também com mais essa vaidade? não servem para nada mesmo!
- sim, omem! ficaria orrível, orroroso, mas acredito que com o tempo acostumaríamos, não?

SORRISOS

Não sou de muitos, e já até pensei em adquirir para mim, um desses sorrisos que comumente se vê por aí. daqueles inexplicadamente fáceis, dos quais há uns quase perfeitos, ao ponto de nos enganar pensando ser de verdade, pois há uns tão absurdamente belos.
Mas de tanto pensar, acabo ficando com essa mesma coisa capenga, destoante, qual apenas sorri espontâneamente feliz, com o que pensa de alegre.

domingo, 6 de dezembro de 2009

sexo bom

não mais aconteceu. ela soube fazer: desnuda, num andar malicioso por sobre a cama, provocantemente veio por cima de mim. apoiando-se sobre mãos, cotovelos, roçava nariz, boca, cabelos sobre meu rosto... depois os rijos bicos dos seios, aqueles cheirosos bicos tesos roçando levemente... boca, naris, olhos...depois descendo sobre meu peito, a pele a eriçar, descendo mais, bem mais. lábios tocando ultra-sensíveis partes suavemente.sem um pouco de pretensão, não se chama atenção. musica romântica a baixo volume. vontade de se descontrolar, uma quente língua a trabalhar. gemidos que inútilmente se reprime... não aguentei mais! com fúria! selvagemente com fúria! como movia cadenciamente aqueles largos quadris! sem pudor. vontade de desferir sádicos e ruidosos tapas, dizer doces obscenidades em alto volume. gemidos impossíveis de se reprimir. procrastináveis irresponsabilidades irrenunciáveis, danem-se! cravei-lhe as mãos alucinadamente nas ancas. não aguentei mais! não aguentei mais! não mais...